OPINIÃO
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(*) Marcos Sêmola

Considerando que os aspectos relacionados à Segurança da Informação transcendem a esfera tecnológica, atribuindo igual relevância aos aspectos físicos e humanos; considerando que há muito venho escrevendo sobre gestão corporativa e os momentos vividos pela informação em seu ciclo de vida: manuseio, armazenamento, transporte e descarte; considerando que a invasão ocorre onde o controle falha, e ainda que pequenos descuidos podem comprometer todo o trabalho e investimento realizado em busca da redução dos riscos, resolvi quebrar a rotina da coluna e escrever algo ainda mais didático e prático, visando eliminar dúvidas, ratificar verdades e derrubar lendas associadas ao assunto.

O Firewall tem papel importante na proteção da rede
O Firewall é um importante elemento no esquema de proteção da rede de computador, mas deve estar adequadamente configurado, a fim de bloquear eficientemente as informações que entram e saem da rede.

Basta ter um Firewall para estar protegido
O Firewall não pode ser encarado como "o salvador da pátria", pois cumpre – se bem configurado - apenas um papel pontual de bloqueio de acessos lógicos seguindo regras de filtragem previamente determinadas. Deve ser constantemente auditado e monitorado, servindo de sinalizador de novas situações de risco e novas necessidades de configuração e bloqueio. DICA: Firewall Products Search Center - http://www.spirit.com/cgi-bin/report.pl

O Personal Firewall complementa os demais mecanismos de segurança de rede
Mesmo contando com outros dispositivos de segurança de rede - roteador com filtro, Intrusion Detection System -, é cada vez mais comum e conveniente se proteger com a instalação de programas chamados Firewall Pessoal. Eles oferecem mais uma camada de filtro à estação, permitindo personalização e controle sobre o compartilhamento de arquivos e serviços.

O Personal Firewall atrapalha o uso do computador
Assim como no Firewall de Rede, precisa de uma configuração contextualizada de acordo com as necessidades de acesso do usuário, evitando bloqueios indesejados e a indisponibilidade de informações e acessos. DICA: existem programas bons e gratuitos que podem ser encontrados em www.zonealarm.com e www.blackice.com

Vírus não contaminam apenas tradicionais arquivos auto-executáveis
Vírus são também transmitidos por arquivos que contenham texto, como os em formato Word. Isso porque o Word dispõe de uma linguagem de programação chamada de MACRO, que pode ser usada para se desenvolver e escrever um vírus de computador. Além disso, arquivos que contenham texto que representem comandos HTML anexados ao e-mail, usados na Internet, podem conter pequenos programas em linguagem Java Script com intenções maléficas, que acabam automaticamente executados pelos principais programas de e-mail do mercado.

Certificados Digitais são uma tendência global para autenticação
Os Certificados Digitais, construídos por um par de chaves pública e privada, possibilitam a autenticação de informações, acessos e serviços a partir de uma assinatura digital resultante de seu uso. Aplicáveis nas mais diversas iniciativas, viabilizará a identificação das partes e ainda servirá de mecanismo de responsabilização civil – havendo respaldo legal – para que tenhamos os relacionamentos eletrônicos máquina-homem, máquina-máquina e homem-homem autenticados e possivelmente reconhecidos globalmente.

Acessar um site com certificado digital é sinal de proteção
O uso de certificado digital por si só não garante a proteção do usuário, pois é preciso ainda verificar a validade do certificado do site, a credibilidade da empresa que o emitiu e ainda se foi emitido para o site verdadeiro.

Pode ser seguro usar o Correio Eletrônico
A criptografia é um dos elementos que viabilizam o uso do correio eletrônico com altos índices de confidencialidade e segurança. Esta pode ser facilmente usada a partir da adoção do certificado digital, que depois de instalado em seu computador – seguindo alguns poucos passos indicados pela autoridade certificadora que o emitiu – é explorado pelos principais programas de e-mail, disponibilizando dois botões: um para assinar digitalmente o e-mail e outro para criptografá-lo.

O e-mail corporativo não oferece riscos às informações veiculadas
Perigoso engano. Apesar de aparentemente mais seguro por estar em ambiente controlado e privado, um e-mail sem criptografia é tão "seguro" quanto um cartão postal escrito a lápis encaminhado pelo correio tradicional, ou seja, não há garantia de confidencialidade de seu conteúdo, bem como de sua integridade. Além disso, um ponto comumente esquecido é a forma com que os programas de e-mail estão configurados para checar a caixa postal. Este processo costumeiramente ocorre por meio do protocolo POP – Post Office Protocol que, usado toda vez que a checagem é acionada, encaminha um pacote de dados com sua senha da caixa postal em claro, ou seja, sem criptografia. DICA: o problema pode ser sanado configurando e habilitando o serviço padrão SSL – Security Socket Layer, tanto no server quanto no client, que irá proteger com criptografia sua senha sempre que a mesma estiver trafegando na rede em função de mais uma das centenas de checagens que fazemos diariamente.

Senhas precisam ser definidas com base no contexto
As senhas devem ser construídas considerando o valor da informação e ativo protegidos, o tempo em que a mesma estará cumprindo esta tarefa e o interesse e poderio dos interessados em burlá-la. É conveniente misturar letras em maiúsculo, minúsculo, números e caracteres especiais para se obter uma senha complexa mais forte. DICA: Construa uma frase como: "Minhas férias de 98, inverno, foram na Itália." e construa a senha a partir dela: Mfd9,i,fnI. Procure memorizar...ao menos a frase.

É mais prático e seguro possuir uma única senha forte
Este comportamento, apesar de comum, é estritamente condenável. Funciona como se contássemos um segredo para dezenas de pessoas, tendo de contar com a confiança de todas elas para que o segredo não vaze. É conveniente construir senhas com grau de complexidade (tamanho e formação) em função do que está sendo protegido, e ao menos (se não quiser adotar uma senha para cada tipo de acesso) segmentar os tipos de acesso de acordo com sua importância.

Antivírus automatizado agrega mais segurança
Em virtude da velocidade impressa pela Internet e conseqüentemente da evolução dos vírus de computador, torna-se coerente adotar programas antivírus que se atualizem automaticamente e ainda façam o rastreamento automático de arquivos, quando estes foram manipulados e até mesmo quando chegarem anexados ao correio eletrônico.

Atualizando meu antivírus todo mês estou seguro
Existem aproximadamente 51 mil vírus de computador diferentes - conforme pesquisa norte-americana feita no ano 2000 - espalhados pela grande rede Internet. Assim, atualizar o antivírus numa periodicidade mensal já não é suficiente para protegê-lo das versões mais novas e potencialmente cada vez mais perigosas.

Um projeto Análise de Segurança deve ir muito além da análise tecnológica
Outrora o mesmo era visto apenas por uma análise superficial – muitas vezes realizada por software scanner - dos ativos tecnológicos como servidores, sistemas operacionais, roteadores e links. Felizmente, agora a percepção mais ampla e completa está virando comodities, onde se realiza uma análise muito mais profunda também dos aspectos físicos como: infra-estrutura predial, cabeamento estruturado, combate a incêndio etc.; e dos aspectos humanos que através de entrevistas e análises de documentos, consideram a cultura dos funcionários a fim de auxiliar a identificação das vulnerabilidades, ameaças, riscos e impactos.

Política de Segurança é tudo igual e pode ser copiada de empresa bem sucedida
Se considerarmos verdadeira a premissa de que cada empresa tem particularidades relacionadas a ameaças, riscos, impactos, recursos tecnológicos, físicos e até mesmo características culturais, concluímos que a solução corporativa de segurança deve ser igualmente personalizada. Com a Política de Segurança, um dos importantes componentes da solução não poderia ser diferente. Este deve refletir critérios contextualizados alinhados com os desafios e as estratégias da empresa. Para tal, deve-se escrever diretrizes, normas, procedimentos e instruções próprias, de forma a adequar as necessidades específicas da empresa aos desafios de segurança da informação.

Seguir uma Norma de Segurança é garantia de sucesso em projetos de segurança
As Normas de Segurança, especificamente a BS7799 e a sua versão internacional ISO 17799-1 têm papel importante nas ações corporativas de segurança em busca de conformidade, mas não podem ser encaradas como "a fórmula" de sucesso, pois além de superficiais, limitam-se a apontar O QUÊ fazer e não COMO fazer. Deve haver sempre uma metodologia compliant capaz de materializar as ações garantindo o sucesso de cada projeto e atividade da Solução Corporativa de Segurança da Informação.

Engenharia Social é tão perigosa quanto uma invasão via Internet por um hacker
Muitas são as técnicas e ferramentas para se obter acesso indevido à informação, esteja ela em formato eletrônico, em papel etc. A técnica da engenharia social é muito utilizada para o levantamento de informações preliminares que possam tornar a tentativa de invasão mais eficiente. É preciso saber que de nada adiantará um alto nível de segurança no correio eletrônico, por exemplo, se o mesmo for posteriormente impresso, transportado, armazenado e até mesmo descartado sem o mesmo nível de segurança.

IDC – Internet Data Center considera todos os aspectos da Segurança da Informação
Nem todos os IDCs consideram completamente os aspectos de segurança visando garantir os índices de confidencialidade, integridade e disponibilidade. Têm de oferecer mais do que redundância de equipamento e infra-estrutura. Precisam complementar os tradicionais serviços com uma equipe especializada em segurança, que de forma presencial ou remota, mantenha continuamente um processo de gestão e monitoramento dos ativos, transformando o IDS em SIDC – Secure Internet Data Center.

Segurança da Informação é controle
Se pudéssemos eleger uma palavra para resumir a amplitude do desafio associado à Segurança da Informação, esta seria: CONTROLE. A partir da especificação, configuração e implantação de controles físicos, tecnológicos e humanos preocupados com o manuseio, armazenamento, transporte e descarte das informações, consegue-se reduzir e administrar os riscos. DICA: segurança é adotar controles que visem administrar os riscos, fazendo-os tender a zero.

Minha empresa está segura
Por mais que tenha especificado os melhores controles para reduzir e administrar os riscos de quebra da confidencialidade, integridade e disponibilidade das informações, nunca estará totalmente seguro. A propósito, nem sempre todos precisam do mesmo nível de segurança, haja vista que as empresas – por mais parecidas, física, humana e tecnicamente – sempre possuem particularidades associadas aos riscos e impactos que são determinantes no momento de se especificar a melhor solução de segurança.

Segurança da Informação precisa ser tratada corporativamente

É fator crítico de sucesso tratar os problemas de segurança de forma ampla e completa, pois diferente disso, as empresas terão apenas soluções isoladas e pontuais que pouco contribuirão para elevar o seu nível de controle e segurança das informações. A coordenação corporativa e a sinergia entre as ações de diversas áreas garantirão maior retorno sobre o investimento e a manutenção do nível de segurança atingido.

PDI – Plano Diretor de Informática deve tratar da Segurança da Informação
Erro comum e persistente é julgar atributo da área de TI o tratamento da segurança da informação. Como vimos, os problemas transcendem os aspectos tecnológicos e precisam de uma nova estrutura orçamentária e de gestão. Contar com um Comitê Corporativo Multidisciplinar de Segurança da Informação, a figura do Security Officer e um PDS – Plano Diretor de Segurança, torna-se primordial para que a empresa construa um verdadeiro processo de gestão de riscos.

É coerente destinar um percentual do investimento em TI para segurança
Esta tem sido uma das formas mais indicadas para dimensionar o orçamento destinado aos investimentos em Segurança da Informação, pois há um crescimento vertiginoso do índice de informatização e principalmente conectividade das empresas, e esta evolução acaba diretamente relacionada ao aumento do grau de exposição e risco. DICA: o percentual tende a variar de acordo com o perfil do negócio, mas invariavelmente fica na faixa entre 5% e 25%, podendo ainda quebrar esta barreira em negócios críticos exclusivamente eletrônicos, e atingir o volumoso montante de 50%.

Plano Diretor de Segurança é um investimento de alto valor agregado
Em virtude da complexidade das empresas, heterogeneidade de tecnologias, desafios mercadológico-comerciais, e ainda pelo veloz crescimento da dependência da informação para gestão do negócio, torna-se fundamental planejar as ações de segurança e diagnosticar de forma corporativa as vulnerabilidades físicas, tecnológicas e humanas, sem desconsiderar a relevância e a sensibilidade de cada processo de negócio diante de uma possível quebra de segurança. Só através de um PDS – Plano Diretor de Segurança pode-se traçar uma estratégia coerente e alinhada com os interesses da empresa, de forma a viabilizar a construção de um Modelo de Gestão Corporativa de Segurança da Informação. DICA: possuir um PDS é ter uma bússola que auxiliará o Security Officer e o Comitê Corporativo de Segurança da Informação a encontrar o caminho, apontando as prioridades e atividades mais pertinentes à empresa que busca seu nível de segurança adequado.

* Marcos Sêmola é MBA em Tecnologia
Aplicada, Bacharel em Ciência da Computação,
Professor da cadeira de Segurança da Informação
da FGV – Fundação Getúlio Vargas, Gerente de
Produto e Consultor de Segurança da Módulo
Security Solutions S.A.
msemola@modulo.com.br

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