OUVIDORIA

Conhecer o que a população pensa sobre os serviços públicos e utilizar esse feedback para realizar transformações e adequações são alguns dos objetivos do governo ao acompanhar a tendência do mercado e criar Ouvidorias. Alguns órgãos têm levado o assunto bastante a sério e já começam a colher os primeiros frutos.
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Ombudsman - Expressão de origem nórdica, resulta da junção da palavra ombud - representante, delegado -, com a palavra man - homem. No Brasil, é adotado pelas instituições privadas.

 

 

Olhos e ouvidos de uma empresa, apesar de parecer uma tendência atual, a ouvidoria já existe há quase dois séculos. Surgida na figura do Ombudsman, a função passou a ser adotada no Brasil a partir de 1950. Originariamente voltada para o controle da administração pública, naturalmente tornou-se importante também em vários campos, trazendo benefícios tanto interna - na melhoria da organização e da qualidade - quanto externamente, atuando como elo entre a empresa e o mercado.

O termo ombudsman foi substituído pela palavra ouvidor nos órgãos públicos, passando a ser adotado pela Prefeitura Municipal de Curitiba, em 1986. A partir daí, os Ministérios da Justiça, da Previdência (INSS) e da Saúde e diversas outras cidades passaram a adotar a função. Considerada uma área importantíssima, a Ouvidoria é a interface entre os clientes internos (empregados) e externos e a empresa, na busca de soluções de problemas e impasses em todas as áreas. O Ouvidor deve agir com rapidez e, sobretudo, confidencialidade, propiciando um constante feedback às organizações, no sentido de atendimento às necessidades dos clientes.

O papel do ouvidor mostra-se importante em estruturas grandes e complexas, reduzindo a distância entre a alta direção e o cliente, seja ele interno ou externo. Ele humaniza e personaliza o atendimento, possibilitando a interação da organização com o ambiente, acelerando a solução de problemas, corrigindo processos e práticas administrativas e questionando respostas insuficientes, entre várias outras funções.

De olho em todos os benefícios que a função pode trazer, o Ministério da Previdência Social instituiu sua Ouvidoria-Geral em agosto de 1998, após alteração da Lei 8.213/91. O objetivo era criar um instrumento de melhoria da qualidade dos serviços previdenciários geridos pelo MPAS, em especial das Agências da Previdência Social integrantes da estrutura operacional do INSS. A partir de então, a nova ouvidoria passa a traduzir a nova concepção de governo que visualiza o cidadão como cliente prioritário.

A ouvidora da Previdência, Neiva Renck Maciel, afirma que a criação desse novo canal proporcionou livre acesso ao cidadão, através do número da Central de Atendimento - 0800-780191 -, Centrais de Cartas, Fax e Internet www.previdenciasocial.gov.br, para apresentar suas reclamações críticas e sugestões relativas à prestação dos serviços no âmbito previdenciário público. "Assim, estamos oxigenando a estrutura funcional, facilitando decisões estratégicas e permitindo implementarmos ações coincidentes com os anseios da Sociedade", diz.

Para utilizar os serviços da ouvidoria, é necessário o nome e endereço completo do solicitante (inclusive CEP); nome do beneficiário; número do benefício; descrição da situação ocorrida e identificação do banco, nome e número da agência, em caso de problemas de atendimento, e um relato completo do ocorrido, caso seja uma denúncia. Nesse caso, não é necessária a identificação do denunciante. Os números (ver tabela abaixo) falam por si só e mostram que o canal está sendo bem aceito pela população. A divulgação desse tipo de serviço tende a aumentar ainda mais a incidência de solicitações.

A EXPERIÊNCIA DO SERPRO

A idéia da Ouvidoria Interna do Serpro surgiu a partir da necessidade de um melhor canal de comunicação entre os empregados e a direção. Através dela, os empregados podem se manifestar, aproximando-se do mais alto escalão da Empresa. É um órgão totalmente independente, ligado ao Gabinete do Diretor-Presidente - GABDP.
Maria Auxiliadora de Medeiros Valle, a Dorinha, é quem responde pela Ouvidoria e apresentou a proposta pela primeira vez ao Serpro em 1999. Após um amadurecimento da idéia, o projeto foi aprovado e ela foi convidada a assumir o cargo.
Confira em um pequeno bate-papo os desafios e as primeiras vitórias do recém-criado canal de comunicação:

Desde quando você trabalha na Ouvidoria do Serpro?

Desde 1º de julho de 2001, data de sua criação. Considero importante traçar um pequeno histórico sobre a minha trajetória rumo à Ouvidoria. A primeira vez que apresentei a proposta da Ouvidoria Interna foi em 04 de dezembro de 1999. Desde então foi sendo amadurecida até a sua implantação no Serpro, quando, então, fui convidada a ocupar o cargo.

Como você tem visto essa experiência? O retorno está sendo como o esperado?

Da melhor forma possível. A empresa, ao criar a Ouvidoria Interna, estabeleceu para toda a organização que existe um canal de comunicação pessoal e interagindo entre o alto escalão e seus empregados. Esta experiência tem sido gratificante na medida em que percebo o envolvimento e comprometimento por parte da direção da Empresa. Quanto ao retorno, é muito cedo para avaliar.

Qual foi a recepção que você teve por parte dos empregados? Eles realmente encaram você como um canal de comunicação?

Até 23 de agosto deste ano, a Ouvidoria recebeu 100 demandas, dentre elas diversos elogios à Diretoria pela criação da Ouvidoria Interna. Penso que seja um bom começo. Considero que após as visitas iniciais que serão realizadas a todas as Regionais, este canal poderá obter uma maior representação junto aos empregados.

Quais são os seus principais desafios na Ouvidoria Interna do Serpro?

Desafios são em bom número por conta da recente criação do órgão e a dimensão de uma empresa do porte do Serpro. O papel do Ouvidor mostra-se importante em estruturas grandes e complexas, onde há uma distância imensurável entre a alta direção e o "chão da fábrica", dificultando a percepção pela Diretoria do que se passa com o mesmo. Assim sendo, penso que o principal desafio seja aproximar cada vez mais os empregados da direção da Empresa.  
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PARTICIPAÇÃO POR TIPO DE OCORRÊNCIAS
Registros Cadastrados de 1 a 30 de junho de 2001

Tipo de ocorrência

Número de ocorrências

Percentual

Reclamações sobre Benefícios

5.833

72,50%

Solicitações Diversas

1.258

15,64%

Atendimento nas APS

545

6,77%

Denúncias

309

3,84%

Elogios

55

0,68%

Sugestões

33

0,41%

Atendimento

13

0,16%

Fonte: Ministério da Previdência
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