MEMÓRIA
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Os destaques da evolução

• Microcompu-
tadores ligados à plataforma baixa substituíram equipamentos EDISA.
• Entrada de dados pelo próprio usuário, utilizando disquete ou Internet.
• Relatórios resultados do processamento de dados, em tecnologia COLD, eliminando a impressão do relatório.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gilson Lariú

Jacira Sônia do Nascimento,
da Superintendência de Serviços Técnicos/Serpro

O ano de 1964, num cenário de eventos fortemente marcantes para a própria história do País, significou para o Serpro, o início apenas do primeiro instante de uma história de sucesso.

Logo após a sua criação, o Serpro assumiu o acervo computacional do Ministério da Fazenda, para a Entrada de Dados, recebendo várias máquinas periféricas de pouco rendimento, já para a época, obsoletas. Depois de devolver muitas e alugar outras mais, essenciais aos novos padrões de trabalho a introduzir, ao terminar o ano de 1965, contava com um total de 368 unidades de equipamento, entre classificadoras, conferidoras numéricas, interpeladoras, interpretadoras, multiplicadoras e calculadoras, perfuradoras alfa-numéricas, perfuradoras mecânicas, reprodutoras e tabuladoras, afora computadores eletrônicos - sendo que todos os equipamentos operavam apenas e somente com cartões perfurados.

Em 1968, impôs-se o primeiro grande desafio à "índole prospectiva" da Empresa, quando os registros de contribuintes do IRPF aumentaram de 430 mil para 4,5 milhões de declarações, em 1969. Em 1970, todo parque de Entrada de Dados estava com as perfuradoras de cartões 029, pouco apropriadas para o trabalho desenvolvido pela Empresa. Além disso, os cartões representavam constantes problemas, com relação à segurança e ao armazenamento. E, a Saída de Dados era "diretamente" do computador, por cartão perfurado ou listagem em formulário contínuo simples ou carbonado, com até 4 vias, em impressoras mecânicas de impacto, que utilizavam fita de papel para salto de canal, com impressão de 6 ou 8 L/P, havendo também a saída direta por fita magnética (fita rolo).

INOVAÇÃO - Em 1972, ocorreu à inovação tecnológica na Entrada de Dados do Serpro, desenvolvida pelos engenheiros da Empresa. Após bem orientadas pesquisas internas, projetou-se e construiu-se o sistema Concentrador de Teclados-STD 3200, com o objetivo de substituir as antigas perfuradoras de cartões e reduzir os custos operacionais de processamento dos documentos.

Tratou-se de uma contribuição ímpar ao mercado por ser o primeiro dispositivo eletrônico desenvolvido em computador no Brasil. O sistema compunha-se de um minicomputador, CPU HP-2100 com 48 Kb de memória RAM, que funcionava como concentrador das informações simultaneamente enviadas por até 32 teclados alfanuméricos, criticando-as, corrigindo-as imediatamente após a digitação e gravando-as em fita magnética.

A linguagem utilizada para o desenvolvimento era o Assembler HP, derivando uma linguagem específica de Entrada de Dados chamada V1. Na época não existia nada igual no Brasil. Foi o Concentrador de Teclados que introduziu no País o processo de gravar, simultaneamente, os dados digitados em fita magnética. A partir do Concentrador a gravação de dados em fita magnética foi generalizada no País.

Para produzir o equipamento Concentrador de Teclados–STD 3200, foi criada a Divisão de Fabricação, a qual também coube projetar outros equipamentos que foram passados a diversas empresas, para industrialização, já que por força de lei, o Serpro só poderia fabricar equipamentos para uso próprio.

Em 1974, foi introduzido o sistema DOS/HP, migrando a linguagem V1 para V2, ampliando a nova linguagem paramétrica chamada de LED01 de dois registradores nativos do Assembler para quatro registradores, fazendo com que a configuração básica do Concentrador de Teclados fosse estendida para uma unidade de disco magnético de 4.8 Mb e CPUs de 64 Kb.

Iniciativas de criação, desenvolvimento e consolidação de uma tecnologia nacional de equipamentos de processamento de dados foram conseqüência da formação de uma consciência nacional em favor de uma tecnologia própria de computação, princípio que também presidiu a formulação da política industrial do Governo para o setor. Em 1974, foi fundada a COBRA – Computadores e Sistemas Brasileiros S.A, empresa nacional para produção de computadores, empreendimento no qual o Serpro, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil eram acionistas.

Em 1976, o Serpro possuía o maior parque de Entrada de Dados da América Latina, com nada menos de 250 milhões de documentos transcritos. Esse trabalho só pôde ser realizado com eficiência graças ao equipamento Concentrador de teclados, que apresentava um índice de produtividade de 30 a 60% superior aos processos de perfuração e conferência de cartões. A Empresa era fornecedora do equipamento para outros órgãos do Governo, como o Banco Central, o IBGE e o BNDE. Com a criação da COBRA, o Serpro decidiu transferir para aquela empresa toda a sua tecnologia de fabricação de hardware e software, cuja aceitação noutros órgãos oficiais redundou nos mesmos benefícios já alcançados.

Em 1978, houve outro grande avanço tecnológico na Entrada de Dados, que correspondia então a quase 50% dos equipamentos de transcrição de dados inteligentes instalados no Brasil. O Concentrador de Teclados evoluiu com o desenvolvimento de um novo sistema de transcrição de dados por terminais de vídeo, STV 1600 (Telinha). O STV 1600, além de pioneiro, foi um marco importante na evolução da Entrada de Dados para obtenção de informação, tornando-se possível a visualização dos dados digitados, bem como a migração de todos os sistemas oriundos do Concentrador de Teclado. O avanço deu origem à linguagem LTD da COBRA e conferiu ao Serpro uma característica pioneira no campo da computação no País.

Em 1988, a Empresa inova mais uma vez e substitui na Saída de Dados o formulário contínuo por papel ofício, sendo uma das primeiras empresas do Brasil a adotar a nova geração de impressoras eletrônicas, baseadas na filosofia de cópias via raio laser. Cada máquina veio substituir cerca de 5 impressoras Impacto. Dez anos mais tarde, o parque de impressão foi novamente modificado com a aquisição de impressoras laser multicromática. Ainda em 2001, o parque deverá ser reduzido com a implantação de outras soluções tecnológicas de saída de dados, como por exemplo, COLD, Web e EDI.

Voltando à década de 90, vale registrar o pioneirismo na introdução do uso de leitoras ópticas de Código de Barra, que eliminaram o teclado. Este processo de modernização permitiu ao Serpro utilizar, inclusive, hardware e software de mercado, como o UNIX, utilização de rede local de micros PC, de leitoras manuais e automáticas de código de barras e da linguagem LTD-Infocon.

Em 1991, a modernização do parque de Entrada de Dados, através da implementação de equipamentos e software com tecnologia do tipo multitarefa e multiusuário, permitindo a produção de mais de um serviço simultaneamente na capacidade de armazenamento de programas e dados do hardware disponível colocou o Serpro em posição de vanguarda tanto na área de produção como na de desenvolvimento de aplicações.

A mudança para Supermicros deu novo impulso tecnológico a produção com o sistema UNIX e Redes Locais, que permitiam o tratamento dos dados na fase de transcrição, assim como o repasse de serviços de transcrição de dados por meio da utilização de software de mercado, gerando uma capacidade para armazenamento de dados e programas de aproximadamente 330 Megabytes.

Em 1992, a era das perfuradoras acabou, com a aposentadoria dos Teclados–STD 3200 ou HP e a introdução dos Supermicros da Edisa. As vantagens técnicas desse equipamento de mercado foram a ampliação da capacidade de memória principal e auxiliar, possibilidades de conectar micro PCs e interconectar supermicros entre as então chamadas Unidades Regionais e clientes. A eficiência de determinadas aplicações do STD fez com que a Empresa mantivesse as duas soluções STD e STV até 1992, apesar dos elevados custos de manutenção pela inexistência de similares nacionais.

A ERA DO BUSINESS - Em 1996, considerando que o sucesso das organizações está indissoluvelmente relacionado ao uso agressivo de Business, com ênfase especial na integração da cadeia logística, o Serpro implantou a tecnologia EDI. Realizou a pré-qualificação de empresas prestadoras de serviços de VAN (Serviços de Valor Agregado) interessadas na intermediação do serviço.

O cenário dos negócios, nessa época, mostrava que o caminho era a parceria com troca de informações, utilizando tecnologia com padronização internacional, o EDI, através de uma plataforma tecnológica que permitisse membros de uma comunidade trocar informações de forma mais completa, sintetizando um dos grandes objetivos da prestação de serviços da atualidade, liquidez da informação.

Hoje, o Serpro estuda a viabilidade técnica, operacional e financeira para ser uma VAN do Governo e prestar o serviço EDI Web.

Em 2000, exatamente em 17/11/2000, foi operacionalizada a Infra-estrutura de Chaves Públicas (ICP-Serpro) de uma Autoridade Certificadora que abriga a AC-Serpro e AC de seus clientes. O objetivo principal da ICP é a gestão das chaves e dos certificados para uso em criptografia e assinatura digital. Em conseqüência, irá permitir a expansão com segurança e confiabilidade dos serviços com envio de dados/informações via Internet.

"O SERPRO FAZ"

Gilson Lariú conta como a criatividade venceu as dificuldades

O engenheiro de telecomunicações Gilson Lariú começou a trabalhar no Serpro em 1975, na atividade de teleprocessamento, que estava também relacionada à contratação de meios para que os sistemas pudessem ser utilizados de forma remota pelos usuários. Lariú, que hoje exerce a função de Diretor-Superintendente, conta que nas décadas de 70 e 80 havia uma razoável dificuldade de contratação desses meios, ao contrário de hoje, quando o mercado conta com uma grande oferta de serviços e diversas operadoras. Naquele período, os pedidos de serviços ou equipamentos deveriam ser feitos com uma grande antecedência, sob pena de a Empresa não conseguir cumprir seus contratos nos prazos estipulados.

Um fato pitoresco enfrentado pela equipe de Lariú nessa área de comunicação de dados aconteceu em 1986, quando estava sendo desenvolvido o sistema Siafi. Naquela ocasião, a economia brasileira enfrentou o Plano Cruzado que, por determinar o congelamento dos preços, causou uma escassez de bens. E a onda da escassez também chegou ao setor de telecomunicações.

Lariú conta que a implantação efetiva do sistema Siafi teve como prazo final janeiro de 1987. Mas, em meados de setembro de 1986, a equipe precisou do lançamento de um cabo telefônico interligando a regional do Serpro em Brasília e o prédio Central da Telebrasília. A má notícia foi dada pela Telebrasília: seria impossível realizar a instalação dos cabos naquele prazo, já que não havia disponibilidade no mercado.

Na tentativa de encontrar uma solução para o impasse, a equipe procurou o então Secretário do Tesouro Nacional, Andrea Calabi, que entrou em contato por telefone, e em italiano, com o diretor da empresa Pirelli, na Itália. Alguns dias depois, a companhia telefônica informou que, milagrosamente, havia surgido a disponibilidade de um cabo telefônico. A Pirelli havia se comprometido a entregar o produto no prazo, tornando possível a ligação entre o Serpro e a Telebrasília. Assim, em janeiro de 1987, dentro do prazo previsto, foi implantado o Siafi.

"Se tivéssemos esperado, imobilizados, a crise passar, fatalmente o sistema não entraria no ar", relembra Lariú. Ele acredita que essa dificuldade só foi superada graças a uma atuação coordenada entre o Serpro e o cliente.

TEMPOS MODERNOS - Gilson Lariú acredita que os novos tempos trazidos com a concorrência no setor de telecomunicações e com a oferta de novos produtos e ferramentas pelas empresas fabricantes de Hardware e Software, permitiram que o Serpro melhorasse também seus preços e a qualidade dos produtos e serviços oferecidos aos clientes.

Um outro ponto que o Diretor faz questão de ressaltar é o avanço que as organizações governamentais brasileiras empreenderam em seus sistemas de informações, tendo como maior exemplo dessa evolução os sistemas da Receita Federal, que são reconhecidos mundialmente como um padrão de excelência no uso da Tecnologia da Informação aplicada a processos de Administração Tributária. Sobre esse ponto, Lariú destaca que o Serpro tem enorme orgulho de ser o parceiro preferencial da Receita para o desenvolvimento de novas soluções.

Se houve muitas dificuldades e desafios a serem vencidos no passado, a exemplo dos primórdios da Rede Serpro, pelo menos uma coisa não mudou na opinião do Diretor-Superintendente: "O Serpro tem uma grande capacidade de mobilização, o que permaneceu com o tempo". A prova disso é uma afirmação que pega emprestada do Superintendente Luiz Beneduzi: "O Serpro faz".

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