Matéria sistemas


   A EXPERIÊNCIA DE QUEM EXPORTA

 
 

Ilustração

Empresa  paraibana é 
destaque na recarga de 
cartuchos

 
Criada há pouco mais de 7 anos, a Paraí Informática, empresa sediada em João Pessoa (PB), é hoje uma das mais conceituadas empresas brasileiras na área de vendas de máquinas para enchimentoe reciclagem de cartuchos de impressoras a jato de tinta e a laser. Conta com mais de 90 funcionários e ocupa 2.70 m 2 de área construída dedicada só à reciclagem. É claro que nem sempre foi assim. Tamanho crescimento, em tão pouco tempo, deve-se à criatividade e ao perfil empreendedor de seu diretor-presidente, o engenheiro civil Luciano Piquet, que idealizou, projetou, desenhou e passou a comercializar a INK 30, uma máquina para recarga de cartuchos baseada em um sistema a vácuo, inédito em máquinas comerciais deste tipo, que se utilizam de um processo de injeção. A invenção foi patenteada e reconhecida no Brasil e nos Estados Unidos. 

A inspiração de Piquet veio da própria frustração com as suas tentativas de recarga de cartuchos para uso particular. Os métodos artesanais à época sempre deixavam a desejar, como, por exemplo, o enchimento por seringa, que resultava em falhas de impressão ou vazamento de tinta. Mesmo com o aparecimento de equipamentos mais aprimorados no mercado internacional, os problemas persistiam pela utilização da mesma técnica. 

Utilizando-se de conceitos de hidráulica, eletrônica e resistência de materiais, assimilados em sala de aula, ainda quando estudava Engenharia Civil na Universidade Federal da Paraíba, em Campina Grande, Luciano Piquet batalhou
muito até ver concretizado o seu invento. O diferencial da máquina paraibana é a qualidade final do produto recondicionado. Com o sistema a vácuo, a tinta não é apenas injetada: a máquina retira todo o ar de dentro do cartucho, para sódepois colocar a tinta na medida e velocidade exatas, de forma a não permitir a criação de bolhas e impossibilitando vazamentos. Além da qualidade, a solução criada por Piquet aposta na simplicidade, já que para construíla são usados apenas componentes genéricos facilmente encontrados no varejo, tais como bombas de ar, mangueiras, relês, válvulas e reservatórios. 

A idéia deu tão certo que, em pouco tempo, vários quiosques instalados inicialmente em galerias e em shoppings de João Pessoa começaram a ser exportados para outras cidades brasileiras e, para outros países. "Iniciamos as exportações porque fomos procura dos por clientes de fora do país que tiveram conhecimento do nosso produto por intermédio da internet", conta o diretor comercial da Paraí, Bruno Teixeira da Cruz, recordando as dificuldades iniciais – comuns a qualquer principiante – como, por exemplo, a falta de padronização internacional dos equipamentos em itens de sinalização e partes elétricas. Superados os problemas, hoje a empresa tem representantes em mais de 37 países: Canadá, Estados Unidos, México, Alemanha, França, Malásia, Suécia, China, Inglaterra, Irlanda, Iugoslávia, Turquia, entre outros. 

Na avaliação de Bruno Cruz, o governo tem feito muito para beneficiar e incentivar as empresas exportadoras, porque sabe exatamente os benefícios trazidos por elas. "Creio que uma das poucas saídas para o crescimento das empresas de pequeno e médio porte é a exportação, já que a carga tributária para vendas internas está cada vez maior", observa, acrescentando ainda que hoje em dia é comum que as transações ocorram geralmente de forma mais simples do que as vendas para o mercado interno. 

Para o executivo, atualmente não existem muitas dificuldades para se exportar no Brasil. Há muitos mecanismos facilitadores, tanto do governo quanto de empresas particulares. Sobre as informações disponibilizadas pelo Ministério do Desenvolvimento, por meio de serviços como o Aprendendo a Exportar, Radar Comercial e Vitrine do Exportador, Cruz destaca que são serviços de grande valia para as pequenas e médias empresas. "Trata-se de ações muito eficientes que permitem às empresas ocuparem espaços que jamais poderiam se estivessem fazendo um trabalho isolado. Além disso, essas informações facilitam o trabalho interno, tornando-o menos burocrático e, conseqüentemente, mais ágil", reconhece. 

Desde que começou a exportar, a Paraí Informática vem participando dos encontros de exportadores (Enconmex), os quais, na opinião de Bruno
Cruz,são eventos de vital importância para qualquer empresa exportadora: "Nestes encontros obtemos informações valiosas, além de ótimos contatos com empresários e empresas prestadoras de serviços, aumentando assim nossa rede de contatos e nossa penetração no setor", acreditando que todo esse avanço só foi possível graças à tecnologia da informação. "A um custo extremamente baixo podemos chegar a praticamente todos os países do mundo de maneira clara e rápida. Com estas características, a internet se torna praticamente indispensável para as empresas exportadoras e traz o cliente de qualquer parte no mundo para dentro de sua empresa", afirma, com a autoridade de quem viveu essa história antes.

"Iniciamos as exportações porque fomos procurados por clientes de fora do país que tiveram conhecimento do nosso produto por intermédio da internet". Bruno Cruz, da Paraí