Matéria educação


   UNISERPRO E AS COMUNIDADES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA



(*) Maísa Pieroni

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Atualmente, os espaços de funcionamento social não são mais delimitados pelo limite geográfico; diversas formas de agrupamento podem ser constituídas por meio do engajamento de pessoas no ciberespaço, que é também um espaço de relações sociais. Porém, são muitas as configurações possíveis no ciberespaço. Para distinguir as simples agregações eletrônicas das comunidades virtuais, é preciso compreender antes a noção clássica de comunidade – "sempre ligada à idéia de um espaço de partilha, a uma sensação, a um sentimento de pertencimento, de interrelacionamento íntimo a determinado agrupamento social", como afirma André Lemos, em seu livro Cibercultura.

As comunidades virtuais têm recebido a atenção crescente dos educadores, cuja expectativa é a possibilidade de aprendizagem colaborativa por meio das redes telemáticas. Nesse sentido, a criação de comunidades virtuais formadas com intencionalidade educativa vem sendo adotada por escolas e universidades, na sua grande maioria, de forma complementar ao ensino formal. O compartilhamento de idéias, informações e conhecimentos entre professor e alunos, e alunos entre si, por meio da rede de computadores, tem se mostrado espaço privilegiado de aprendizagem colaborativa em rede. 

Por sua vez, as empresas também vêm incentivando a formação de comunidades como uma poderosa ferramenta para orientar suas estratégias, solucionar problemas, compartilhar práticas e desenvolver habilidades profissionais. Todavia, é importante identificar as dinâmicas de funcionamento dessas redes de relacionamento humano e buscar potencializar a criação de espaços de interações e aprendizagem colaborativa, sejam eles, espaços organizados e deliberados ou espontâneos e livres. 

Para isso, além de um conjunto de ferramentas tecnológicas que permitem às pessoas se comunicarem e colaborarem entre si é necessário, sobretudo, implementar estratégias que visem à transição de um modelo de aprendizagem tradicional, baseado na transmissão de conhecimentos, para um modelo de aprendizagem colaborativa, em que a participação ativa dos indivíduos e suas interações são fundamentais para a aprendizagem de cada um dos membros.

Um exemplo da possibilidade dessa mudança pode ser vista na comunidade Software Livre. Sua existência baseia-se em um fluxo constante de informações, de troca de experiências e de conhecimento, e seus projetos norteiam-se pela colaboração entre seus membros, com uma tecnologia disponível a todos. Esse movimento, que tem mobilizado milhares de pessoas no mundo inteiro, mostra que as interações humanas, seja no espaço educacional ou no mundo do trabalho, podem superar a lógica da competitividade e florescer em um ambiente mais colaborativo. 

(*) Analista do Serpro, Doutora em Educação